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Como saber se é amor: características e diferenças entre amor e paixão

Atualizado: há 2 dias

Desde que a humanidade existe, a busca pelo entendimento do que é o amor se faz constante. De Platão a Erich Fromm, vários pensadores já exploraram a definição do amor. Cada um baseando em suas experiências de vida, provavelmente.


Hoje, o que se busca mais é como saber se é amor a partir da constituição de uma relação. Parece que há uma ânsia em não perder tempo e, ao mesmo tempo, uma impaciência em construir bases sólidas para uma relação de sucesso.


Perguntar-se como saber se é amor também pode vir de inseguranças pessoais em relação à pessoa com quem está se relacionando, e talvez até da dificuldade de se entregar sem certezas. Afinal, a base da dificuldade em se lidar com as incertezas da vida está na ansiedade, e isso faz com que nasça a impaciência. Esse é o ciclo vicioso...e arrisco afirmar que pode ser o ciclo vicioso de quem não consegue amar de verdade.


O que é o amor?


Podemos nos debruçar em diversos filósofos e continuarmos filosofando sobre o que é o amor. A grande questão é que desde o surgimento da Psicologia, sabemos que cada ser humano é único, possui sua subjetividade e, por isso, existem infinitas formas de amar.


casal com as mãos postas em formato de coração

Para Fromm, por exemplo, o amor é visto como uma atividade interna do ser que ama. A questão, sobretudo, não deveria ser a preocupação em ser amado(a), mas, antes disso, o sujeito deveria se preocupar em amar.


Para Platão, o amor é um sentimento que existe enquanto não é correspondido. Sua definição se mistura um pouco com a ideia do desejo. Como se enquanto houver desejo, há amor, e se você alcança o objeto de desejo, perde a graça e o amor deixa de existir. Podemos expandir a ideia do filósofo para a reflexão sobre o amor espiritual, aquele que transcende. Fica mais subjetivo, porque também abrange essa ideia.


O próprio Camões trouxe em seu texto famoso, posteriormente musicado pelo Renato Russo de Legião Urbana, a visão platônica do amor, sendo visto como um sentimento a ser concretizado na imaginação, sem necessidade de concretização física. Clique aqui para ler o poema completo. Ou clique aqui para escutar a música do Legião Urbana! (adoro)


O fato é que quando se trata de relacionamento saudável, a reciprocidade é algo fundamental. Entender como o amor funciona nestas condições faz toda a diferença na hora de decidir quem entra ou quem sai de nossas vidas.


Então, definir o amor se torna subjetivo, sem certo ou errado, mas com um denominador comum: amar é leve, pacífico, sereno, e facilita o sentir-se à vontade na presença do outro, ou em sua ausência presente (na mente e coração).


Diferença entre paixão e amor


Antes de chegar ao amor, vamos dar um passo para trás e entender a principal diferença entre paixão e amor. Afinal, muitos confundem esses dois sentimentos e pouquíssimos, muito provavelmente, experimentaram de fato o sentimento do amor.


A paixão é a fase inicial de um envolvimento. Trata-se de uma reação química cerebral, desencadeada pelo aumento da dopamina, ativando regiões cerebrais importantes. Como consequência do aumento de dopamina, os níveis de adrenalina e cortisol também sobem quando nos apaixonamos, enquanto a serotonina – que tem efeito calmante – cai em cerca de 40%.


Além da dopamina, a ocitocina e a vasopressina são outros hormônios relacionados à paixão. Tanto homens quanto mulheres sofrem alteração nos níveis de testosterona quando encontram a pessoa desejada.


Na mulher, a testosterona sobe, aumentando a libido. Já no homem, a testosterona diminui, fazendo com que ele fique mais dócil e com vontade de ter gestos mais doces.


Os sintomas também são semelhantes ao vício em drogas, que gera abstinência na ausência da substância. A pessoa apaixonada quer ter o outro por perto a maior parte do tempo e, se não tem, aumentam os sintomas de ansiedade.


A natureza é tão sábia que é nessa fase que tudo fica à flor da pele, e é necessária para o "acasalamento", ou melhor, a sobrevivência da espécie humana, que é um pouco mais complexa em termos de exigências do que os animais. Por isso, essa química toda é essencial.


Segundo um estudo da University College, de Londres, a paixão dura entre 18 e 30 meses. Ou seja, ficamos apaixonados de um ano e meio a três anos e meio, sendo que o auge da felicidade a dois costuma ser alcançada por volta dos três anos de relação.


O grande problema é que a grande maioria não passa dessa fase (da paixão), e acaba se casando com o outro neste momento, quando ainda não se transformou em amor. E é quando surgem os problemas, justamente porque o amor é tranquilo, diferente da avalanche de emoções presentes na paixão.


Ainda na fase da paixão, não deu tempo de você conhecer o pior do outro (ou seus defeitos). Então, podemos dizer por todos os sintomas acima mencionados, que nessa fase, estamos vivendo uma fantasia por estarmos cegos (de paixão).


Acrescente a tudo isso a repetição natural de ciclos familiares. Ou seja, nosso cérebro tende a reproduzir padrões conhecidos (relações dos nossos pais, caminhos conhecidos, comportamentos e etc.), então, geralmente, nos apaixonamos por padrões dos nossos ancestrais, e isso é tão verdadeiro quanto o tamanho da nossa inconsciência para tudo isso. Por isso, nem sempre o que é confortável pro nosso cérebro é saudável. Por exemplo: atividade física nunca foi confortável pro nosso cérebro, mas nem por isso deixa de ser saudável.


Com isso, ainda na fase da paixão, podemos cometer sérios equívocos. Mas, claro, vamos considerar a complexidade humana e reconhecer que também podem existir exceções.


Quando você ama, a tendência é que todos esses hormônios (ou neurotransmissores) se acalmem, e você passa a discernir melhor tudo, passando da empolgação para o cuidado, carinho, planejamento, ponderação, cautela. Na paixão, nada tem limites.


A fase da paixão é a adolescência do relacionamento, em que vale tudo a todo custo. Já a fase do amor é a maturidade do envelhescer se aproximando do que vou deixar para o depois junto à pessoa que está comigo.


5 fases de um relacionamento


Há estudos que apontam para 5 fases de um relacionamento, apontando o amor como a penúltima fase, em que poucos ou quase ninguém consegue alcançar, de acordo com a teoria.


  1. Paixão: o início, já explicado acima;

  2. Compromisso: em que o casal se constitui (quando a monogamia é uma escolha);

  3. Desilusão: quando as fantasias (ou máscaras) da paixão começam a dar espaço para a realidade, a partir da convivência, fazendo com que os defeitos do outro apareçam.

  4. Amor real: quando se passa da fase da desilusão, aceitando o outro como ele realmente é, com todos os defeitos, permanecendo na relação mesmo assim;

  5. Sensação e poder para mudar o mundo: ambos buscam crescer e evoluir juntos e compartilhar a felicidade do amor com muitas outras consciências, podendo levar a projetos, voluntariado, filhos, e por aí vai. Trata-se da transcendência do amor.


A maioria não passa da terceira fase, terminando relações com a desilusão. Talvez falte maturidade, a válvula propulsora do amor, que nada tem de egóico. As pessoas tendem à impaciência. O imediatismo nos afasta do amor verdadeiro nos dias atuais. Quanto mais egoístas somos, mais incapazes de enxergarmos o outro como ele realmente é, porque sempre haverá o interesse voltado para meu próprio benefício. E isso nada tem a ver com o amor.


O amor não é condicional. Ou você ama aquilo que você vê e está diante de si, ou você não ama. Além disso, o amor é uma construção: quanto mais experiência complexas você tem com uma pessoa, mais chances existem do sentimento de amor crescer. Há estudos nesse sentido também. O amor precisa da convivência, dos desafios em comum para existir. Coexiste.


Diferentes formas de amar


Entendendo a complexidade humana, alguns estudiosos das diferentes formas de amar tentaram caracterizar os diversos tipos. Eu, particularmente, nunca gostei de dar rótulos, muito menos para doenças psiquiátricas, porém, os sintomas sempre denunciam comportamentos, o mesmo se dá com a linguagem do amor.


Por isso, dos estudos que tratam das diferentes formas de amar, gosto mais do livro As 5 linguagens do amor, de Gary Chapman, mesmo sabendo que não se esgota por ali. O mais importante é você saber ouvir o que o outro te diz com empatia. Compreender o que está por trás do não dito e que somente o corpo pode decifrar. Fazer leitura de gestos, olhar, atitudes e, conversar demais para entender o que significa o amor para o outro.


Talvez amar seja tão difícil justamente pelo que Fromm mencionou sobre isto: as pessoas se preocupam mais com elas mesmas, se são amadas ou não. Por que buscar como saber se é amor se eu não amo de verdade? Muitos precisam aprender...talvez a maioria.


O amor não cobra reciprocidade, muito embora para se estar em uma relação afetiva, essa reciprocidade seja imperativo.


De acordo com o livro 5 linguagens do amor, existem 5 formas que as pessoas entendem o amor: 1. Palavras de afirmação; 2. Tempo de qualidade; 3. Dar presentes; 4. Atos de serviço; 5. Toque físico. Não vou me ater a cada uma delas, mas em síntese: existem pessoas que entendem o amor ouvindo palavras de amor; outras, passando tempo de qualidade juntos, fazendo algo produtivo e compartilhado juntos; aqueles que entendem o amor dando presentes, literalmente, justamente porque passaram um tempo escolhendo algo com significado para a pessoa que ama; outras que entendem o amor fazendo e antecipando ações para o amado (a), como tirar o lixo, por exemplo; e aqueles que sentem mais o amor pelo toque físico, com carinhos, abraços e por aí vai.


Eu vou mais além: prefiro pensar na complexidade do ser humano para fazer essa avaliação. Então, a minha principal dica para entender se o outro me ama, é buscar saber como ele entende o amor. Isso só será possível, conversando, convivendo, passando muito tempo juntos, construindo e perseverando a todos os desafios da vida.


E então? Como saber se é amor?


Se você ainda está se fazendo esta pergunta como saber se é amor, ou você não entendeu nada, ou a resposta está diante de você e você só não quer aceitar que não é amor.


  1. Quando é amor, não há dúvidas!

  2. Se o outro me ama, ele está ali para mim.

  3. Há confiança.

  4. Existe parceria e cumplicidade.

  5. O olhar do outro diz muito em silêncio e contagia.

  6. Existe uma segurança íntima na presença do outro.

  7. Nos sentimos à vontade na presença um do outro.

  8. Predominam os momentos de calma e tranquilidade.

  9. O silêncio traz paz para o coração.

  10. Existe persistência e determinação para fazer dar certo.

  11. Há vontade de disponibilidade.

  12. Há cuidado e carinho.

  13. Existem projetos juntos (grandes e pequenos), nem que sejam para o final de semana.

  14. As brigas são conduzidas para o diálogo assertivo, ou inexistem.

  15. O olhar para o outro é de amor.

  16. Há muito mais concessões que exigências.

  17. Mais compreensão que conflitos.

  18. Acima de tudo, o respeito predomina.


Caso você precise de sessão de terapia, individual ou de casal, fale comigo:

Psicóloga Michelly A. Ribeiro

CRP-08/27324

(45) 99131-3177

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