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Vício em seduzir: Síndrome de Afrodite e Don Juan

Alguns conhecem o vício em seduzir por Síndrome de Afrodite, para mulheres, ou Síndrome de Don Juan (Don Juanismo), para homens. O fato é que pouco se fala a respeito do vício em seduzir, e este é um assunto sobre o qual tenho estudado há alguns anos, atendendo muitos pacientes que se identificam com as características do vício em seduzir, bem como parceiros de pessoas que sofrem com isto.


O que não é o vício em seduzir


Antes de falarmos sobre o que é, precisamos abordar o que não é o vício em seduzir a fim de ficar mais nítido para os leitores. O vício em seduzir não é uma doença e sim, uma característica, ou parte de um conjunto de sintomas.


Acho importante mencionar isto, pois muitos já me procuraram - em decorrência de um vídeo meu que fez sucesso no meu canal do You Tube sobre este assunto - buscando cura para os sintomas, tratando como se fosse uma doença. Mas, não é!


Você pode me perguntar agora: se não é doença, por que usar os termos "síndrome de Don Juan" ou "síndrome de Afrodite" se referindo ao vício em seduzir?


Vou te explicar: o termo síndrome se refere a um conjunto de sintomas. Por isso, também não podemos chamar de doença e sim, de uma condição ou característica pessoal que, neste caso, pode atrapalhar relações monogâmicas, além de poder ter diversos fatores por trás, também relacionados a traumas.


Síndrome de Don Juan


A síndrome de Don Juan foi a primeira a ser relacionada ao vício em seduzir. A ideia surgiu a partir de um personagem arquetípico da literatura espanhola, Don Juan. Ele era um mulherengo, que seduzia as mulheres disfarçando-se de seus amantes ou lhes prometendo o matrimônio. Ele deixa um rastro de corações partidos até que, finalmente, acaba matando um certo Don Gonzalo. Quando depois é convidado pelo fantasma deste para um jantar numa catedral, acaba por aceitar, por não querer parecer um covarde.


Nesta síndrome, existe uma necessidade compulsiva por sedução, envolvimento sexual fácil mas fracasso no envolvimento emocional, sendo assim, determinada por relacionamentos íntimos pouco duradouros ou até mesmo inexistentes.


Os indivíduos que têm esta síndrome são excessivamente sedutores e, em geral, têm como alvo pessoas "difíceis" ou "proibidas" de serem alcançadas. As outras pessoas facilmente se apaixonam por eles, entretanto, o indivíduo com a síndrome logo constata que o parceiro ou o relacionamento não tem mais graça e, por fim, acaba abandonando a pessoa.


Esses indivíduos não se apegam aos seus parceiros, pois possuem apenas uma atração fugaz em que quando o outro é conquistado, este mesmo vira enjoativo, sem graça e a atração desaparece. Ou seja, se possuem o objeto de desejo, perde a graça.


Síndrome de Afrodite


Considerando o vício em seduzir não ser apenas uma peculiaridade masculina, embora seja predominante, foi pensada em uma síndrome equivalente: a síndrome de Afrodite. A escolha de Afrodite é porque ela é considerada a deusa do amor e do sexo, na mitologia grega. Ela corresponde à Vênus da mitologia romana.


A versão da história mais conhecida, é que Afrodite nasceu da espuma formada dos órgãos genitais de Urano que foram cortados e arremessados por Cronos ao mar. Também há indícios de que ela é filha de Zeus e Dione. Mais tarde, Platão resolveu a questão afirmando que Afrodite tem dois aspectos: a primeira era Celeste, do amor divino e homossexual. E a segunda, do amor comum, do povo, de onde emana o amor físico e desejos lascivos.


A Síndrome de Afrodite diz respeito às mulheres viciadas em seduzir. Por entenderem que conseguem o que querem com a sedução, se acomodam nessa prática, chegando a seduzir tanto homens como mulheres, podendo conquistar benefícios corriqueiros diários e até alguns mimos. O interesse dessas pessoas é de despertar desejo, mais do que conquistar efetivamente.


O problema dessa síndrome é o foco que dão para o outro admirá-las e a competição existente em relação aos rivais. Por trás desse comportamento, há uma insegurança e carências afetivas. Dependem do desejo do outro para se sentirem bem.


História da Sedução


Vamos entender um pouco o que é sedução antes de prosseguir? De acordo com o dicionário, sedução diz respeito ao conjunto de qualidades e características que despertam simpatia, desejo, amor, interesse. Também pode ser definida como a capacidade ou processo de persuadir ou perverter.


imagem dual de homem e mulher juntos com o mesmo rosto olhando para frente

As técnicas de persuasão são estudadas há muito tempo. No contexto da oratória, por exemplo, na época de Aristóteles, se falava disso com o objetivo de influenciar as pessoas com pensamentos políticos, e a arte da oratória era tida basicamente como manipulação por parte dos sofistas. Depois, Aristóteles vem para tratar da retórica em si de uma maneira mais positiva.


Quando falamos de sedução no sentido de conquista, em se tratando de relacionamento afetivo, a busca por esse conhecimento pode vir a partir de algumas inseguranças pessoais ou baixa autoconfiança. E então, pensa-se em técnicas para auxiliar no processo de conquista, o que até funciona, porém, gosto de frisar que o mais importante é a mudança interna voltada para o entendimento de que você deve se bastar e evidenciar o que tem de melhor, sem máscaras no ato da conquista: que goste de você quem realmente for compatível com sua essência mais verdadeira, e que não permaneça, quem não é capaz de te aceitar como você realmente é.


Além disso, podemos também falar sobre a falta de assertividade: há aqueles que se utilizam da sedução para lidarem com a dificuldade de serem diretos na comunicação. Manipula para conseguir o que quer apenas com o olhar, um jeito manhoso e por aí vai.


9 tipos de sedução


Robert Greene, em seu livro A Arte da Sedução, detalhou 9 tipos de sedução, se baseando na arte da manipulação, principal característica da sedução. É importante saber da existência destes tipos, justamente para identificá-los e não cair em redes de mentiras voltadas para vantagens pessoais de terceiros. Ou até sermos enganados por pessoas que possam ter características narcisistas, psicopatas, dentre outros. Afinal, a sedução também é um dos muitos sintomas de muitos transtornos de personalidade como estes acima mencionados.


Vale lembrar que a sedução também pode estar presente em pessoas inseguras, que manipulam para conseguirem o que querem, sem intenção ruim. Apenas por insegurança pessoal mesmo. No entanto, importa saber que qualquer manipulação é nociva para quem é manipulado. Não esqueça!


Conhecer os tipos de sedução é importante por alguns motivos: 1- para te proteger de manipuladores não caindo em suas garras; 2- para usar estrategicamente em situações de perigo (no caso de alguém que esteja tentando se suicidar, por exemplo). Se a intenção for conquistar alguém para ficar realmente com a pessoa sem manipular para machucar, conhecer essas técnicas também pode ajudar. Então, vamos lá?


Estes 9 tipos de sedutores são muito abordados, de diferentes formas, pelos coachings de relacionamento, que bebem dessa fonte:


  1. Sereia: são aquelas pessoas que representam o poder aparente regado de sexualidade, pegando pelo emocional para conseguir o que querem. Basta pensar na sereia como uma humana meio peixe, aparentemente inatingível, mítica e com uma característica pessoal distinta. Faz o outro correr atrás sem nunca a possuir de fato.

  2. Libertino: é a versão masculina da Sereia, um estilo Don Juan de ser, a figura masculina sedutora pintada pela sociedade. Trata-se daqueles que vão até onde for para conquistar uma mulher, dando atenção com cordialidade, despertando os desejos reprimidos femininos, representando um personagem de escravo do amor da mulher. É livre e, por ser livre, representa a liberdade que a mulher deseja, por isso que exerce atração. Porém, o foco dele está no prazer do momento. Enquanto há desejo, há vontade. Depois que conquista, perde o interesse.

  3. Amante ideal: Estão sintonizados com o que falta no outro e passam a fazer esse papel na vida da outra pessoa, falando o que quer ouvir e fazendo o que o outro espera que faça. São os gentleman, observadores e atentos aos detalhes.

  4. Dândi: são aquelas pessoas cuja presença gera ambiguidade. Trata-se de uma pessoa irreverente e aglutinadora, com espontaneidade e que tende a encantar pessoas e multidões, não seguindo modelos, mas criando o próprio.

  5. Natural: são aqueles que mantém a criança interior ativa, com altas doses de bom humor, evidenciando essa característica.

  6. Coquete: Esse tipo tem um perfil de corte, com forte poder de prolongar a satisfação do outro, tornando-o dependente ou aos seus pés. Nunca oferece satisfação total e alterna calor e frieza (afeto e distanciamento).

  7. Encantador: seduz pelo sexo. Tiram o foco de si, colocando o foco totalmente no alvo, os enchendo de prazer e conforto. É como se ele tivesse o dom de fazer o alvo gostar ainda mais de si mesmo quando está em sua presença.

  8. Carismático: tem o dom de envolver multidões. Vemos muito essa característica em pessoas que se expressam publicamente. Possuem uma segurança incomum em termos de comunicação, o que os fazem se destacar.

  9. Estrela: são aquelas pessoas que passam uma ideia de sonho, influenciando o inconsciente de outras pessoas, aparentemente difíceis de serem alcançadas, como é o caso de figuras de poder, artistas, e por aí vai.

Dentro de cada um destes 9 tipos, podemos esmiuçar muitas qualidades que, se misturadas, podem reforçar ainda mais as características sedutoras em uma mesma pessoa. É válido lembrar que não há nada mais sedutor que uma pessoa com a autoestima elevada, confiante e espontânea, usando a autenticidade a seu favor e sem manipulações para sobreviver.


O que está por trás do vício em seduzir


Saber o que está por trás do vício em seduzir pode ajudar a identificar as características em si mesmo e, em algumas situações, também em outras pessoas. Porém, acho válido reforçar que ninguém melhor do que você mesmo para saber sobre você. Então, jamais julgue alguém por um crivo que é só seu. Combinado?


mulher atrás de um homem fazendo jogo de sedução

As pessoas que possuem o vício em seduzir podem ser comprometidas ou não. Geralmente, aquela troca de olhares ajuda na liberação de serotonina, o hormônio do prazer, o que estimula ainda mais o comportamento sedutor. Afinal, a sedução “é sedutora”. Quem seduz conquista seu alvo e isso reforça o comportamento. Simples assim.


O comportamento desencadeado pelo vício em seduzir esconde uma imensa necessidade de reconhecimento (de ser aceito ou aprovado). Sabe aquela pessoa que sistematicamente precisa que o outro (ou outros) reforcem para ele o tempo todo que seu trabalho está ótimo, que ele está lindo, e por aí vai? A diferença é que essas pessoas não demonstram essa necessidade (apenas sentem, escondem mesmo). Então, às vezes, a figura feminina ou masculina, dependendo do que o atrai, é aquela que mais traz estímulos de prazer, que essa pessoa necessita, e aí surge o vício em seduzir.


Pode ter ocorrido uma séria rejeição na infância por parte de um dos pais, e na fase adulta, essa pessoa precisa desenvolver a autoafetividade. Em outras palavras, o “amor-próprio”, ou seja, melhorar a autoestima.


Isso porque, por mais que a pessoa mostre para os outros que é autoconfiante, na maioria das vezes, pra não dizer que são em todas as vezes, isso é apenas uma máscara. O orgulho ou soberba é máscara para as inseguranças relacionadas à aparência física (o que faz com que gaste um tempo cuidando da aparência com até excessos de vaidade), por exemplo, e também com a própria performance. É como se, enquanto adulto, ele ainda quisesse a atenção do pai ou da mãe que o rejeitou. Compreende?


Acontece que você nunca saberá de suas inseguranças, porque essa pessoa que é viciada em seduzir, esconde cada uma delas passando um ar de superioridade mesmo. E detalhe: às vezes, nem percebe que faz isso.


Se a pessoa lida com isso sem sofrimentos, está tudo certo. O problema está em suas relações. Se essa pessoa quiser um relacionamento monogâmico, por exemplo, ela poderá ter problemas com traições. Não que a traição seja comportamento exclusivo dos viciados em seduzir, mas esse é um ponto relevante para o vício em seduzir, principalmente, quando falamos dos parceiros afetivos dessa pessoa.


Essa pessoa pode até amar a pessoa com quem está comprometido, mas o vício em seduzir (que não implica necessariamente em sexo) é tão grande, que ele se deixa levar.

Por trás desse comportamento também pode ocorrer uma certa dependência afetiva, justamente porque depende da forma como o outro olha para ele (geralmente com desejo) para sentir-se bem. Digo “certa dependência” porque sua vida não para se isso não acontece. Mas, ele não controla quando acontece.


Trata-se de uma compulsão por seduzir. A rejeição é o oposto da aprovação. O sedutor tem “fome de reconhecimento”. O tratamento envolve a conscientização da rejeição vivenciada na infância envolvendo uma ressignificação desse passado, trabalhando com o perdão; o fortalecimento da autoestima, e controle da compulsão com mudança cognitiva.


A terapia EMDR ajuda muito nesse processo, justamente por ressignificar mais rápido os traumas do que terapias convencionais.


Supere o vício em seduzir


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O curso tem como objetivo ajudar as pessoas a superar o vício em seduzir por vários motivos, como salvar a relação, evoluir pessoalmente e emocionalmente e eliminar os problemas consequentes desse vício.


O curso é uma aula-terapia que tem como objetivo ajudar as pessoas a superarem o vício em seduzir.


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Psicóloga Michelly A. Ribeiro

CRP-08/27324

(45) 99131-3177

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